sábado, 10 de abril de 2010

Desigualdade Social ¬¬

Meu trabalho de Sociologia :#

Os principais fatores para a existência da desigualdade social no Brasil são provavelmente a grande falta de interesse do governo em estabelecer um salário mínimo digno para todas as pessoas em geral. Não há como um pai de família que trabalha sete dias por semana de um jeito quase desumano, com cinco filhos e uma esposa para sustentar, sobreviva com um salário de quinhentos reais. Acredito que seja exatamente por isso que ainda existam pessoas nas ruas, morando sob pontes e viadutos, vivendo em casebres de dois quartos, pessoas sem ter o que comer ou vestir. Enquanto outros trabalhando sentado o dia inteiro sem fazer absolutamente nada, ditando ordens e tarefas para seus subordinados e arranjado meios para surrupiar a verba pública da empresa ou do próprio governo.
Claro que não podemos generalizar e dizer que todos os políticos e empresários são assim. Muitos trabalharam duro a vida inteira para chegar onde estão e ter todo o reconhecimento e descanso merecido. Porém também não podemos generalizar e dizer que todos são os mocinhos. Há os vilões sim e não podemos mais confiar nas nossas autoridades como confiávamos antes porque simplesmente não se tem mais como distinguir o caráter das pessoas. A situação está tão crítica que até uma pessoa de caráter honesto e correto pode se deixar balançar por um suborno generoso e assim aceitar as condições preditas.
Outro fator que poderia ser apontado seria a falta de oportunidades devido à insegurança quanto ao caráter citada acima. As pessoas não podem mais dar empregos a desconhecidos sem fazer uma série de perguntas um tanto constrangedoras e sem uma devida referência anterior. Agora vem a pergunta mais clichê de todos os tempos: e como é que os jovens vão conseguir um emprego se não possuem referências anteriores e ninguém lhes dá oportunidade para possuí-las um dia? E quanto às pessoas com deficiência física ou mentais? E os negros? Hoje em dia ainda há sim o preconceito e é eufemismo e hipocrisia dizer que não há.
E outro que eu acredito que seja um fator bastante influenciável para a desigualdade social, seriam as chamadas quotas nas universidades. Acredito que os negros têm que sim ter seu espaço na sociedade, mas com quotas em universidades com certeza não vão ganhar. Claro que uma bolsa de estudos e sua vaga na faculdade estarão garantidas porque há tantas vagas reservadas para eles, mas aí tem a questão: e se os aprovados não são capacitados? Estarão tirando a vaga de alguém que realmente tem potencial e só não conseguiu passar por causa das quotas. Por exemplo, se existem cinqüenta vagas para negros e apenas vinte fizeram o vestibular, esses vinte nem precisarão fazer a prova em si porque simplesmente a lei exige que se admita pelo menos cinqüenta. E se algum deles não tiver realmente o merecimento de estar ali estudando? É uma questão delicada e com bastantes opiniões diversas, mas para mim isso é vergonhoso. Eu me sentiria inútil se fosse aprovada apenas porque era necessário fechar a quota.
A preocupação de nossos governantes com o que os outros países irão pensar é no mínimo tosca. Francamente, quem se importa com o que os outros vão pensar contato que estivermos bem, com nossos sistemas públicos impecáveis e todos vivendo em harmonia sem violência em cada esquina? Quem se importa com quantos milhões o Brasil doou para o Haiti? Claro que não estou condenando meu país por ajudar outro, mas acho que a prioridade é estabelecer um sistema de saúde pública digno aqui antes de pensar em estabelecer pontos de saúde lá. As pessoas aqui estão morrendo todos os dias em filas intermináveis em hospitais públicos e nosso senhor presidente pensa em como as crianças no Haiti estão passando fome. Há gente aqui comendo em lixões. Há gente aqui vendo sua família morrer aos poucos porque não possui recursos para evitar. Há gente aqui que ainda não tem um sistema de saneamento básico em casa ou energia elétrica. Há brasileiros que ainda – por mais vergonhoso que seja – não tem acesso à educação de qualidade. E agora eu pergunto: é mesmo assim tão nobre o governo ajudar o “vizinho necessitado” quando está tirando o pão da boca dos seus “filhos” para ajudá-los? Eu acho que não.
A desigualdade social acontece justamente por causa dessa desigualdade financeira entre as classes sociais. Pode ser que as classes sociais sejam sim necessárias, mas as pessoas que trabalham no pesado, que fazem o trabalho árduo, deveriam ser remuneradas de acordo com suas respectivas funções. Um homem que trabalha fazendo motores, por exemplo. Ele é constantemente exposto a resina e constantemente se queima com a mesma, porém ele sempre cumpre com sua quota diária. E quanto ele ganha ao fim do mês? Mil reais, talvez menos, enquanto o diretor do setor ou algo parecido fica protegido contra a resina escaldante atrás de sua mesa o tempo todo, realizando o muito árduo trabalho de demitir pessoas, contratar outras e ganha até três vezes mais do que aquele trabalhador que se queima com resina e corre o risco eminente de perder partes do corpo enquanto trabalha em máquinas complexas e grandes. Eu só não consigo ver onde fica a igualdade nessa história. Por que o diretor merece mais do que aquele que se expõe ao calor excessivo de 40º durante oito horas com uma pausa insuficiente de meia hora para almoçar?
O diretor pode ter conquistado seu cargo, mas e o trabalhador manual? Como ele fica? Se expondo relativamente ao perigo cinco dias úteis por semana e ganhando uma considerável merreca quando se trata de comparar a verba com sua função? Estamos num nível desumano.
Os mais afetados com tudo isso são pessoas sem o ensino fundamental ou ensino médio completo porque hoje em dia você não consegue nem trabalhar de balconista num bar sem o diploma do ensino médio. E nosso presidente nem o ginásio têm efetuado. Acho que o povo brasileiro tem que começar a ver atrás das aparências quando for apertar a tecla “confirma”.
Sem um segundo grau completo você praticamente não tem como arranjar um emprego, apesar de pessoas com uma porção de cursos, fluente em várias línguas também participar dessa desigualdade econômica.
Mas acho que não é justo jogar a culpa só em cima do governo e empresários de renome. Sinceramente acredito que uma parte dessa desigualdade deve-se a nós mesmo pelo fato de exigirmos tão pouco dos próprios encarregados de governar. Se pensássemos duas, três, quatro vezes antes de votar, analisar com cuidado cada candidato, avaliar se ele merece mesmo seu voto, se lêssemos o plano de governo de cada um deles, acredito que viveríamos no mínimo numa sociedade mais justa. Acho que todo esse “dom” de falar mal das outras nações, coisas como “como esse povo é nojento e arrogante” deveríamos era olharmos para nosso próprio nariz e começar a ver que a nossa nação verde e amarela não lá muito caridosa e receptiva e toda solidária como fora pintada. Isso tudo é parte de um grande e mentiroso rótulo que o governo insiste em não deixar cair. É como colocar um outdoor na frente de uma construção velha e caindo aos pedaços.
Acredito que as coisas poderiam mudar e melhorar se começássemos a procurar saber realmente quais são nossos direitos e nossos deveres, saber ao certo o que podemos ou não cobrar, deveríamos lutar por uma igualdade econômica pacificamente, nada de greves porque isso é besteira e perda de tempo. Lutar honestamente com dignidade, fazendo por merecer. Acho que tudo ficaria melhor se as pessoas começassem a se unir, olhar realmente para o mendigo pedinte em vez do cachorro moribundo. Acredito que nosso país seria um lugar muito melhor se nós parássemos para pensar um momento e disséssemos para nós mesmos pararmos de sermos tão ignorantes. Porque não somos burros. Apenas ignoramos a situação degradante de algumas coisas como ignoramos a corrupção de determinado deputado quando votamos nele para ser nosso governador.
As coisas mudariam se o governo não fosse tão corrupto e não desviasse o dinheiro público para suas contas na Suíça e realmente investisse nos projetos sociais que tanto gostam de enfeitar em seus discursos. Ou então se resolvessem ajudar o próprio país a ser um lugar de primeiro mundo ao invés de doar quantias mirabolantes para outros países. As coisas mudariam se começássemos a agir em vez de ficarmos falando em quanto o mundo em que vivemos é injusto.
Por Amanda Steilein.

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